Estudo de vulnerabilidade sísmica: quando é obrigatório e o que envolve

Num país sísmico, reabilitar sem avaliar a estrutura é um risco que a legislação passou a regular: desde 2019, muitas obras de reabilitação exigem um relatório de avaliação de vulnerabilidade sísmica — e, quando o resultado é insuficiente, um projecto de reforço. Eis quando é obrigatório, o que envolve e porque interessa mesmo quando não é.
1. Quando é obrigatório
GATILHOS (basta um)
· sinais evidentes de degradação estrutural
· alteração do comportamento estrutural
· área intervencionada > 25% da área bruta
· custo > 25% de construção nova equivalente
· edifícios de classes III e IV (escolas, hospitais)
RELATÓRIO DE AVALIAÇÃOentregue com o projecto
REFORÇO SÍSMICOse a segurança for insuficiente
A avaliação é obrigatória, entre outros casos, quando a área intervencionada excede 25% da área bruta do edifício ou o custo da obra ultrapassa 25% do custo de uma construção nova equivalente — e o reforço impõe-se quando a segurança fica abaixo de 90% da exigida.
Fonte: Portaria n.º 302/2019 (regime do DL 95/2019) — Diário da República
2. O que o estudo envolve
Caracterização — levantamento da estrutura existente, materiais e patologias; em edifícios antigos, é trabalho de diagnóstico a sério, não de gabinete. Avaliação — verificação da capacidade resistente face à acção sísmica regulamentar (Eurocódigo 8). Conclusões — ou a segurança é suficiente, ou o projecto de reforço passa a integrar a operação. O relatório entra no processo logo com o projecto de arquitectura — tarde demais é sinónimo de redesenhar.
3. Porque interessa mesmo quando não é obrigatório
Em Lisboa e em boa parte do país, o edificado antigo — alvenaria, «placa», gaioleiro — tem vulnerabilidades conhecidas. Avaliar antes de comprar ou de investir é uma medida de gestão de risco: o custo do estudo é uma fracção do reforço, e o reforço previsto em projecto custa uma fracção do executado de forma improvisada em obra. Com o novo quadro técnico de 2026, a responsabilidade do projetista por estas opções só aumentou.
“Num edifício antigo, a pergunta não é se o sismo vem — é se a estrutura que vai comprar já respondeu a essa pergunta.”
Tiago R. Correia
Arquitecto
Aplica-se a moradias?
Aplica-se a obras de ampliação, alteração ou reconstrução que disparem os gatilhos — independentemente do uso. Pequenas remodelações interiores, em regra, ficam fora.
Quem elabora o relatório?
Engenharia de estruturas, em coordenação com a arquitectura — no nosso caso, integrado desde o estudo prévio para que as soluções de reforço sirvam o projecto, não o contrariem.
Quanto custa?
Depende da dimensão e do acesso à estrutura; é tipicamente uma pequena fracção do valor da obra — e um dos investimentos mais relevantes em segurança que esse orçamento pode suportar.
Integramos a avaliação sísmica no projecto desde o primeiro dia — diagnóstico, soluções e licenciamento sem surpresas.
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